sexta-feira, dezembro 02, 2011

Marcelinho 05h09min

Eu trabalhava como porteiro, segurança ou qualquer coisa que necessitasse em um bar todas as noites e recebia pouco. Às vezes menos do que eu esperava, mas normalmente pouco. Tinha um desses caras que vigiam carros e que era amigo dos donos do bar.

- Porra, cara, essa falta de sexo deixa o cara doido – Disse o homem

- Claro - Eu disse.

- Eu to há sete anos sem comer ninguém, desde que fui internado e nunca mais vi uma buceta na vida.

- Mas tu foi internado há um ano, certo?

- Então, to há sete meses sem fuder ninguém.

- Isso é foda. Porque não paga alguém pra tu comer?

- Ta doido? Eu posso cair morto encima da pessoa.

O marcelo tinha sido internado por algum problema no pulmão. Sei que perdeu um ou danificou um e o outro já tava pra acabar... ou os dois estavam danificados, daria na mesma no fim de tudo. Ele nunca disse meu nome, talvez por não fazer a menor ideia - como a maioria das pessoas.

- Falta de sexo deixa o cara doido - Foi o que ele me disse enquanto uma mulher de mais ou menos 1,70m passava pela porta do bar.Ela sempre passava por ali. Uma gostosa, branca, cabelo preto até o meio das costas, com coxas e bundas que me davam vontade de casar com tudo aquilo e sabia que seria uma foda daquelas.

- Deixa mesmo - Respondi olhando a mulher passar.

- Só de pensar em comer essa bundinha redondinha – ele disse olhando pra mulher – eu já fico pouco mal. Isso que deixa o cara doido, querer algo, querer essas que andam por aí... Eu não quero essas vagabundas de balada que se vestem com vestidos curtos e rebolam pra qualquer um que pague pra elas. Não quero pagar. Se bem que por 100 reais eu pagaria. Mas não quero pra ficar comigo.

Esse papo continua por bastante tempo, mas tem todo o sentido da face da porra da terra. Sempre pensei que isso deixaria qualquer um doido com o tempo e eu sei que me deixaria completamente débil.

Sempre fui assim: Quanto mais eu tinha, quanto mais pessoas eu encontrava e conhecia, mais eu queria. Mais eu queria me ver no meio daquelas pernas e enfiar minha língua naquelas bocas. Sempre me meti em confusão por causa de mulher. Mulher é um cão dos diabos. Tanto as que tu deitas todos os dias, quanto as que tu conheces e acaba por dormir com elas de modo extraoficial. Toda manha eu acordava e pensava “que porra é que eu to fazendo? Eu sei quem é a pessoa certa pra mim e não é nenhuma dessas”.

Sempre tinha uma pessoa certa.

Nunca era a certa.

Eu acordava, vestia minhas roupas e, quando ela acordava, inventava alguma desculpa pra ela ir embora. Todas iam e, ocasionalmente, voltavam... e era sempre a mesma coisa. Mas pela manha eu não queria ver a cara de ninguém, não queria ter que aguentar ninguém além de mim e minha chatice casual.
Deve ser por isso que durmo sozinho todas as noites e me ocupo com namoros que parecem temporadas de caças. Duram uns meses e, depois de brigas, eu volto a dormir sozinho.

Nenhum comentário: