terça-feira, março 08, 2011

Eu pensava estar pronto pra escrever.
Nunca estive.
Ainda to no meio do caminho pra esse monte de coisas.
Eu sento, no quarto escuro, com o cigarro queimando e a música, mas não é suficiente.

Enquanto todo o mundo se mata lá fora, com pessoas lutando por um resto de cigarro apagado na areia, eu sento e aperto essas teclas.
Aperto forte.
Eu mudo de cidade
Eu bebo.

Acordo sem saber aonde estou e sujo e caído e machucado.
Mas não estou pronto pra escrever.
Sei lidar com cada esquina que eu me encontrar, com cada praça, mas não com as teclas que fazem barulho durante a noite.

Então escrevo, apago e esqueço.
Deito, durmo.
Acordo, escrevo, apago e esqueço.

Toda noite
Todo o tempo
Apago tudo
e esqueço.

No outro dia levanto e é como se ressucitasse, já tive tantas vidas que perdi a conta.
Tantas noites em que deito e sinto como se fosse chorar.
Em um quarto escuro, sem comer, sem o que me cobrir e mesmo assim
Nada vem.

Como se minha mente quisesse, mas o corpo gritasse cada vez mais alto “tu vai aguentar.”
E eu digo que não, não mais e tudo dói.
Mas fecho os olhos e vejo todas as noites, toda vez que eu passava mal caído no chão
E durmo.
No outro dia é mais uma chance, mais uma vida.

Creio que a diferença é que as pessoas sabem lidar com o dia novo, com a nova chance
e eu não sei.
Eu faço o mesmo e elas tentam qualquer outra coisa.

Um comentário:

Anônimo disse...

Difícil de explicar... mais fácil de compreender. Você sabe o quanto gosto dos teus textos... da intensidade que emanam. Não sei porque passei por aqui... queria ver se "tu" ainda existia...