
Os dias foram se passando como tardes chuvosas,
E agora só consigo dormir quando vejo os raios solares invadindo minha casa.
Com o tempo, tudo foi se tornando abstrato de uma forma que eu não pude controlar,
O que eu senti, o que eu passei e todo o meu interior e personalidade parecem terem sidos apagados
E o que sobrou –nessa casca oca- esteve esperando por novos registros de vida.
Novos traços de emoção, de sentimentos.
Mas nada veio.
Nada apareceu e o que se parecia esperançoso, se converteu em tempestade
E a única coisa que me resta a fazer, é procurar abrigo.
Tudo mudou quando não veio a esperança, quando não veio o espírito
E nesse desmembrar, partes foram perdidas e deixadas ao longo do caminho,
Deixadas ao acaso, não esquecidas, mas desgastadas.
No inverno que a chuva se torna mais ácida
E as gotas parecem cada vez mais cortantes, revelando uma pele interior
Revelando pessoas que eu ignoro.
E na cidade que eu consigo ouvir os carros que perambulam,
Os bêbados que caem em vielas e choram.
Na cidade que a fumaça das grandes empresas, tampam minha visão do céu,
Me sufocam.
Meu abrigo se torna paredes úmidas e me vejo sozinho
Correndo para a chuva, gritando em devaneio
Esperando que o banho me limpe, me dilacere.

4 comentários:
Sempre me perco em suas palavras, e fico imaginando se são reais;
e fico desejando que fossem minhas...
^^
Olá.
Passando por aqui, vi a porta aberta e resolvi entrar.Valeu a pena.
Palavras fortes e deixou-me a pensar! Difícil de interpretar.
Gostei daqui.
:*
Volte quando quiser...
(depois leio os posts, cansada demais)
Nesse sentir... nessas paredes que te abrigam e que te guardam. Nessas dores que insistentemente tendem a voltar de vez enquando. Cest la vie...
Nunca estamos sozinhos.... a esperança tá ali, tão guardada que as vezes, esquecemos dela.
"Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro".
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