terça-feira, setembro 18, 2012

bate e volta 07h02min


eu sei que não vale a pena mais escalar as paredes
e pegar as lembranças
e revirar caixas atras de textos e fotos
mas eu ainda assim tento

eu sei que acabou
definitivo
sei que daqui pra frente
nào importa o que eu me tornar
não importa

eu bebi demais
e andei demais
e nada dessas coisas que eu faço ou falo fazem o menor sentido

no fundo eu continuo o mesmo de sempre e isso raramente é coisa boa

é complicado quando se observa, um por um, todos se afastando
as meninas se afastando porque tu não é realmente o cara que elas pudessem mudar
os caras se afastam porque não tem as meninas
e acabo entrando em um periodo de desligamento

eu quero esquecer tudo e faço de tudo pra isso
e as vezes funciona
mas normalmente volta pela manhã
e não há nada que se fazer

nunca há, né?
na manhã, quando se precisa sair e esquecer
nunca há.

terça-feira, junho 12, 2012

12-06-2012 nada nunca acaba


nada nunca acaba.
o dia só acaba pra começar denovo
a matéria só é destruída pra formar outra.
tudo continua.

o toque continua
a lembrança continua
no dia que eu fui bom, que eu tentei
no dia que eu não abusei e deixei um pouco as drogas do lado
não teve reciprocidade
e não acabou
ainda cresce.
ainda dói.

no dia que eu falei "fica" e tu
me respondeu "não."
ainda continua ressoando.

as rejeições não terminam
a neblina não termina
eu continuo pendurado no segundo andar enquanto todo mundo dorme
enquanto a neblina cega qualquer palmo que se dê pra ver de distância

quando tu me disse sobre os rapazes daí
sobre as meninas
e eu disse "ok, ta tudo bem, vai lá"
não acabou nada do que senti

e talvez foi melhor assim

sábado, dezembro 24, 2011

Nothing left to say

Provavelmente fiquei esperando por algo que nunca irá acontecer.
Esse é o problema maior com a maioria das pessoas:
Se não são cheias de merda pra acompanhar, são cheias de merda pra acompanhar.
É o caso do ex-namorado, é a bebida, é a organização, não importa.

Por muito tempo fiquei esperando uma resposta, um convite, qualquer merda,
que fizesse valer a porra de vida que tem acontecido.
A verdade é que nunca vai acontecer!
Nada disso.

E a cada vez que vejo olhos novos, bocas novas, corpos novos,
Só me vem a sensação de vazio filho da puta que corrói tudo que tem.
É um vazio metafórico, claro, que por algum tempo é suprido por sexo e/ou drogas, normalmente.
Mas é provisório, é monocórdio e repetitivo.

A bebida tem um papel importante nisso, faz esquecer.
Faz adormercer.
Tanto a mente, quanto o corpo, e não tem coisa melhor que tudo apagado, tudo desligado.
A mente não desliga, entretanto.
A todo o tempo fica rodando merda e mais merda que acontece.
Todo o dia, a todo o tempo.
O maior erro que se tem, é pensar que se tem base ou conforto em qualquer coisa,
Nada que te faça qualquer outra coisa além de esquecer e apagar, funciona.
Nada do que não te faz pensar menos, respirar menos, viver menos, funciona.
É aí que a bebida entra.

Sou covarde, claro, em me esconder atrás de um copo,
Atras de relações alheias que no máximo que tu irá fazer, é as destruir.
É como se fossem, as pessoas, formas de suprir alguma necessídade não suprível.
Mas não supre.
Me cansei de saber disso.
Nada supre.

Mas a batalha contra a garrafa é algo que ocupa.
É uma das únicas coisas que ocupam e faz a mente voar um pouco.
Todo dia, ali, ou querendo, ou bebendo, faz o dia continuar.

É uma merda esse desejo incessante de morrer, como se a próxima esquina, a morte estivesse.
Uma necessidade de todo mundo de ser útil, de ser algo,
De ser a próxima grande merda do mundo, como se fosse qualquer coisa que valesse a pena.
É uma grandessíssima merda.